Primeiramente, use um nobreak com saída de onda senoidal, pois os comuns, não oferecem qualidade de alimentação perfeita, sujeitando a falhas e travamentos, muitas vezes inexplicáveis. Segundo experiência de vários outros colegas, aparelhos de informática são bastante sensíveis a esses transeuntes na rede elétrica; resolvendo-se tais problemas com nobreak senoidal. Um nobreak senoidal controlado digitalmente, fornece energia totalmente estabilizada em sua saída e com uma forma de onda perfeita, mesmo na presença de alimentação da rede elétrica e mediante os mais diversos tipos de oscilação dessa rede. Isso é praticamente impossível de se conseguir com nobreaks não-senoidais ou estabilizadores de tensão de baixo custo. A propósito, estabilizador de voltagem de verdade – também chamado de “condicionador de voltagem” – custa bastante caro, até mais que um nobreak senoidal pequeno. Digo “de verdade” pois eu não utilizo e sou totalmente contra a utilização desses “estabilizadores” de plástico, de baixo custo.

Adquira um nobreak com potência suficiente para alimentar os equipamentos destinados, mas dê preferência aos de 1200 VA que utilizam 2 baterias internas em série, funcionando em 24 volts.

Dê preferência para aqueles que possuam “entrada” para bateria externa, o que é bastante comum. Conheço alguns de 1200VA que aceitam baterias de até 80 Ah. Essa potência nominal diz respeito a 1 bateria com até essa potência total, ou um conjunto de baterias somando até o máximo dessa amperagem, mas pode-se instalar bateria(s) com amperagem muito maior nessa entrada, ao que o nobreak simplesmente demorará mais para recarregá-las quando da descarga das mesmas.

Atente para a voltagem utilizada nessa entrada externa: nobreaks maiores, que aceitam maior quantidade de baterias, normalmente possuem essa entrada de 24 volts, devendo ser respeitada quando da instalação do conjunto de baterias !

Evite usar baterias automotivas. Bateria não é tudo igual: as automotivas não foram projetadas para essa finalidade, funcionando, mas com vida útil reduzida. O ideal são “baterias estacionárias”, como as “12 volts X 7 Ah” usadas em nobreak. Existem dessas com maior amperagem, até mais de 100 Ah, usado em inversores, nobreaks e iluminação de emergência profissionais, mas o preço se torna inviável. Sugiro a utilização em “série e paralelo” de várias baterias de 7 Ah, na quantia necessária para o tempo em questão – lembrando que a combinação dessas deve obedecer a voltagem de entrada do nobreak (preferivelmente 24 volts).

Agora vamos a parte mais delicada: improvisar um nobreak barato (senoidal de 1200 VA e 24 volts, de preferência), para sustentar um computador servidor por umas 12 horas. Primeiramente, escolha o tipo de bateria padronizada que irá utilizar. Nada de misturar bateria de carro com bateria selada, novas com usadas ou marcas e modelos diferentes. Sugiro retirar a bateria interna do nobreak, instalando apenas as externas, para facilitar futuras trocas das mesmas e “padronizar” o sistema. Se o nobreak não possuir entrada para bateria externa, deverá ser adaptado um conector externo no nobreak, ligando-o aos pólos da bateria original, retirada do interior (atenção para a polaridade). Será necessário uma grande quantidade de baterias para 12 horas de uso sem energia !

Para se estimar quantas baterias serão necessárias, somente testando “na prática” mesmo, com uma bateria totalmente carregada, do tipo a ser utilizada, depois fazendo a conta da amperagem da mesma pelo tempo de duração da mesma. Se for utilizar do tipo selada 12 volts X 7 ampéres (de nobreak mesmo), acredito que será necessário umas 20 ou mais (desculpe, mas estou chutando…)

Outro problema será quanto ao recarregamento das mesmas pelo próprio nobreak. Quando o mesmo possui conector para bateria externa e indica a máxima amperagem a ser utilizada nessa bateria externa; refere-se a capacidade do nobreak em aplicar carga a mesma, num determinado espaço de tempo. Se deixarmos por vários dias, é possível carregar maior quantidade de baterias com esse mesmo nobreak, somente necessitará maior tempo para repor essa carga. Normalmente, os nobreaks possuem um “trim-pot” interno de ajuste da carga da bateria, originalmente ajustado para carga nominal da bateria original. As vezes possuí 2 ajustes: um para a voltagem de carga e outro para a corrente de carga. A voltagem máxima de carga das baterias normalmente encontra-se escrita na mesma, ou em sua documentação. Depois de instalada todas as baterias, deve-se ajustar o trim-pot de voltagem de carga do nobreak para algo em torno de 14 volts, e o de corrente de carga para um valor o mais elevado possível.

Então, teste na prática: com as baterias totalmente carregadas, desligue a rede elétrica e verifique o tempo de duração das mesmas. Quando o sistema desligar por falta de bateria, iremos medir qual a corrente de carga que o nobreak consegue aplicar nas baterias.

Para tanto, é necessário utilizar um multímetro, de preferência digital (pode ser esses de 15 a 20 reais); cortando e interrompendo um dos fios que interliga o nobreak às baterias externas – apenas 1 dos fios, positivo ou negativo, tanto faz – ao que ligamos o multímetro em série, ou seja, cada ponta de prova do multímetro em um dos fios interrompidos.

Dessa forma, o multímetro funcionará como uma “ponte” (grosso modo, como se o multímetro fosse um “fusível”) fechando o fio interrompido. Se as pontas estiverem invertidas, a medição será perfeita, apenas apresentando um sinal de – (menos, ou negativo) antes do número medido.

Deverá ser ajustado para medir corrente ou ampéres “CC” ou “DCA” (corrente contínua), que é o tipo de alimentação utilizado, e nunca CA (corrente alternada). Ajusta-se, inicialmente para uma corrente de 10 Ampéres, reduzindo para uma escala menor, se for constatado demasiado esse fundo de escala.

Religue a energia e verifique qual a corrente de carga aplicada as baterias . Teoricamente, o tempo necessário para a carga total das baterias será a soma da amperagem de todas as baterias dividida por essa corrente de carga; devendo-se estimar uma folga de uns 20% ou 30% nesse tempo de carga, para termos certeza que as mesmas encontram-se com plena carga.

Desligue o multímetro e religue as baterias para recarregá-las. Acredito que o nobreak carregará as baterias dentro de umas 48 horas ou mais (carga lenta, a melhor forma de aumentar a durabilidade das baterias).

Caso esse tempo for considerado demasiadamente longo, é possível a instalação de um “carregador flutuante” externo, ligado a essas baterias, para ajudar o nobreak nessa tarefa; mas acredito que não será necessário. Se quiser mesmo esse sistema, adquira o nobreak e faça os testes (pode ser em outro micro, pois o consumo deve ser aproximado), com as baterias originais para estimar quanto tempo dura, comparando com a amperagem das mesmas.

Depois, consiga 2 baterias de carro emprestadas para teste (podem ser diferentes mesmo), completamente carregadas, e ligue-as externamente no nobreak. Atenção para a voltagem: se o nobreak for 24 volts, as 2 baterias devem ser conectadas em série, e não em paralelo!

Faça uma estimativa de quantas baterias seriam necessárias, baseando-se na amperagem das baterias testadas e no tempo de utilização.

Texto Pertencente a W4RH4CK3R do site UnderLinux